27/07/2017 – Brasil Energia Online

Tarifa branca promete aquecer mercado de automação

A possibilidade de os consumidores de baixa tensão do grupo A e B, a partir de 1º de janeiro de 2018, aderirem à tarifa branca – opção que sinaliza a variação do valor da energia conforme dia e horário de consumo – deve ser benéfica para os fornecedores de medidores eletrônicos de energia e de softwares para leitura e análise dos dados de consumo.

Essa é a expectativa de Welson Jacometti, o presidente da CAS Tecnologia, que fornece sistemas de telemetria e automação para o monitoramento e análise de dados de consumo coletados por medidores eletrônicos. A companhia já forneceu equipamentos para 18 distribuidoras no país e, na visão de Jacometti, deve ser mais acionada para atender a nova demanda nos consumidores que aderirem à tarifa branca.

Em setembro do ano passado, a Aneel definiu que consumidores novos e os com média mensal superior a 500 kWh poderão solicitar o enquadramento na modalidade, a partir de 2018. Em 2019, a possibilidade se amplia para consumidores a partir de 250 kWh e, em 2020, para qualquer nível de consumo.

Para Jacometti, os consumidores que optarem por essa tarifação, que divide as faixas de consumo entre horário de pico, intermediário e fora de ponta, precisarão ter medidores eletrônicos para diferenciar os valores a serem cobrados a cada horário e dia. “Vão precisar usar a mesma sistemática dos grandes e médios consumidores, com medidores específicos e softwares para monitorar e analisar a coleta de dados”, diz.

Alento para o setor

Essa nova perspectiva de negócios serve como alento para a CAS e demais fornecedores desse segmento, comenta o executivo, já que nos últimos anos o ritmo de negócios caiu muito, em virtude da queda de receita e o endividamento das distribuidoras.

Mesmo sendo uma tecnologia que ajuda as distribuidoras a detectarem perdas e fraudes, a automação e a análise dos dados dos consumidores está sendo postergada por muitas concessionárias, segundo Jacometti.

“Muita distribuidora grande ainda tem sistema convencional de medição e controle, sem nenhuma automação, na base da leitura manual”, diz.

Além de facilitar a operação, a automação, por meio da análise por Big Data, acelera e aprimora a detecção de fraudes e perdas técnicas na rede. Um sistema automatizado consegue no mínimo reconhecer 80% dos problemas potenciais identificados, enquanto um convencional o reconhece no máximo 15%. Do total dos problemas, a maior parte (75%) tem a ver com questões técnicas e o restante são de fato fraudes/roubos.

A CAS tem uma plataforma analítica chamada Hemera, que atualmente gerencia 1.7 milhão de pontos de medição para as distribuidoras atendidas (EDP, Light, Neoenergia, Energisa, Celg, Ampla, Copel, etc).

Em agosto a empresa lança uma nova plataforma chamada Gauss, que permite a automação de tarefas ainda manuais nas concessionárias, como a programação de lista de feriados, acerto de relógios de medidores e de identificação de discrepâncias de consumo.