A medição do consumo de energia, água e gás, por meio de visitas mensais de funcionários das concessionárias, em todas as casas e ruas, começa a chegar ao fim. Principalmente para as distribuidoras de eletricidade, que suspenderam temporariamente esta atividade por causa da epidemia de covid-19, passando a cobrar pela média de consumo dos meses anteriores, ou com base na auto-leitura, contando com a ajuda do próprio cliente para informar a leitura do seu medidor.

Essa evolução tecnológica já era prevista com a chegada da “Tarifa Branca” – modelo de cobrança por faixa horária de consumo, para a qual a distribuidora é responsável pela instalação de um medidor eletrônico inteligente. A implementação prática dessa modalidade tarifária é prevista para ocorrer a longo prazo, uma vez que o entendimento e a adesão dos consumidores constituem um processo gradual, e que os custos envolvidos na aquisição e implantação dos novos equipamentos são de responsabilidade das distribuidoras.

Porém, com a necessidade de preservar a saúde dos funcionários, manter o fornecimento de eletricidade e adequar-se a novos padrões de consumo decorrentes da adoção do home office e home school de forma maciça, as distribuidoras de energia estão acelerando os planos de modernização da medição, priorizando investimentos em redes inteligentes. O aumento na aquisição de módulos de comunicação inteligentes e plataformas de gestão e serviços em smart grids para o segmento de distribuição elétrica aumentou consideravelmente nestes últimos três meses, em comparação com o mesmo período do ano passado.

Essa aceleração, no entanto, não se verifica de forma linear, uma vez que cada distribuidora possui planos específicos de investimentos, quase sempre de longo prazo, além do que costumam empreender diversos programas importantes concomitantemente. Mas todas elas estão inserindo a medição remota em seus projetos, podendo variar em função do impacto que a redução das atividades econômicas provoca em suas receitas.

A automatização dessa atividade requer a implementação e instalação de novos equipamentos, como medidores eletrônicos inteligentes, módulos de comunicação com inteligência de campo embarcada, serviços de comunicação de dados 3G, 4G, IoT, e softwares para gerenciamento e análise de todas essas informações, passando a contemplar sistemas de automatização de tarefas repetitivas, o que aumenta a assertividade e possibilita que os analistas de medição se dediquem a atividades mais importantes, preventivas e corretivas, as quais garantem a melhoria contínua do fornecimento.

A automatização oferecida pelas redes inteligentes, as novas tecnologias de comunicação digitalizadas e a modernização da medição do fornecimento e do consumo, tanto de energia como de água e gás, trarão vantagens para todos, provedores e usuários, indo ao encontro de outras mudanças estruturais nesses setores de serviços públicos.

Para as empresas, permite receber as informações com segurança, sem erros de leitura e online. Também passam a contar com informações mais precisas para o planejamento da compra e para o fornecimento e a distribuição da energia elétrica, e que possibilitam ainda otimizar o investimento em pessoas, com realocação de parte dos recursos humanos atualmente envolvidos com a leitura de campo para atividades analíticas, mais importantes, mais inteligentes e mais produtivas.

Durante a pandemia, já foram usa-das algumas ferramentas de análise e de automatização de tarefas repetitivas, como a leitura de consumo de clientes que já possuem equipamentos telemedidos, o que liberou técnicos e analistas para atender outras demandas surgidas por conta de mudanças nos perfis de consumo, como trabalho remoto, alterações na mobilidade e no-vos rotinas, em casa e no trabalho — o fornecimento de energia elétrica é uma atividade essencial e não pode sofrer interrupções.

Para o segmento de água, a medição remota permite ao consumidor acompanhar o consumo online, por meio de aplicativos de celular, facilitando identificar formas de economizar ou identificar suspeitas de vazamentos.

Já para o segmento de energia, essa modernização possibilitará até, no futuro, a participação no mercado livre de energia, no qual estuda-se incluir consumidores residenciais, como ocorre em outros países.

Octávio Brasil é gerente de marketing da CAS Tecnologia, fornecedora de módulos de comunicação inteligentes e plataformas de gestão e serviços em smart grids para o setor de Utilities.

 

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