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No Dia Mundial da Água (22 de março), essa tecnologia pode ser uma alternativa contra o desperdício.

Embora seja naturalmente renovável, a água potável do planeta é um recurso finito. O brasileiro consome em média 154 litros de água diariamente – 44 litros acima do recomendado pela Organização das Nações Unidas (ONU).

Em tempos de escassez é necessário o uso consciente da água e a preservação do meio ambiente. Atualmente o processo tecnológico de medição individualizada é uma das melhores alternativas para atender as duas frentes dessa questão: a necessidade de abastecimento dos grandes aglomerados urbanos e a preservação de nascentes, rios e reservatórios.

Hoje já existe lei que obriga as construtoras a entregarem as unidades preparadas para a Medição Individualizada e a partir de 2021, entra em vigor a lei federal 13.312/Jul- 2016 que determina a entrega das unidades com o sistema funcionando.

Apesar do modelo de redes inteligentes não ser tão evoluída no Brasil, como já acontece no fornecimento de energia elétrica, existem ações em diversos países para implantar soluções de medição para monitoramento e controle preventivo do desperdício, tanto para preservar quanto para reduzir a conta mensal do consumidor.

Em princípio a medição individual de água: é uma forma de “medir” o consumo de água de cada apartamento ou loja, para que cada unidade pague apenas pelo volume efetivamente consumido – e não de forma rateada, em que uns pagam pelo consumo de outros.

Medição por apartamento. Créditos: CAS Tecnologia

O volume de chuvas em algumas regiões do Brasil nas últimas semanas, pode passar uma falsa impressão de que não há falta para o abastecimento, principalmente nas regiões metropolitanas. Na verdade, a produção de água potável está cada vez mais cara, exigindo elevados investimentos de governos e concessionárias para trazer o insumo de lugares cada vez mais distantes. Uma das formas de economizar na conta de água nas grandes cidades é a individualização da cobrança em edifícios residenciais, shoppings e diversas empresas, porque estabelece justiça no consumo ao permitir que cada família ou comércio saiba exatamente quanto gastam (podem controlar o consumo por meio de um aplicativo), e consiga economizar – acima de 20% na conta principal, em média.

Para compreender melhor essa questão, o Portal C3 conversou com Marco Aurélio Teixeira, gerente de negócios de uma empresa de tecnologia e gestão da medição do consumo de água, gás e energia.

 

Portal C3 – A Individualização da cobrança da água é um modelo seguro e de fácil adaptação aos moradores?

M.A. Teixeira – Sim, a confiabilidade é como outros tipos de medições individualizadas já existentes, como numa casa, por exemplo. Para os edifícios onde a construtora deixou a previsão de instalação dos medidores, a facilidade é maior. Já para os projetos mais antigos, pode ser necessário fazer alguma obra para adequação hidráulica.

Quanto à facilidade de adaptação por parte dos consumidores, certamente, quando se implementa um sistema mais justo, as pessoas passam a ter mais conhecimento sobre seus dados individuais de consumo, mais independência para economizar e mais consciência com o meio ambiente.

 

Portal C3 – Quais são as obrigações da contratada na prestação de serviços de instalação, leitura, prazos e manutenção?

M.A. Teixeira – Para a instalação é combinado, contratualmente, um prazo de implementação conforme orçamento prévio que especifica os tipos de serviços e equipamentos a serem utilizados em cada projeto. Além disso, a contratada possibilita leituras diárias, disponibiliza o acesso ao sistema para os gestores, o acesso individual aos consumidores – via APP – e compartilha os fechamentos mensais junto às administradoras.

As leituras não são realizadas apenas uma vez por mês, mas são realizadas remotamente várias vezes ao dia, permitindo que o morador acompanhe, via aplicativo, seus dados de consumo, que defina sua meta e verifique se há alguma suspeita de vazamento.

Sistemas inteligentes de análise dos dados emitem alertas configuráveis. É a tecnologia e os sistemas de comunicação IoT a favor do consumidor e das empresas de serviços públicos.

Havendo necessidade de manutenção, após o período de garantia, passa a ser responsabilidade do condomínio, assim como todas as outras despesas mensais (manutenção de elevador, iluminação, limpeza, etc.)

Portal C3 – Se o condomínio preferir ou tiver condições, o que precisa ser feito para a emissão de conta diretamente pela Sabesp?

M.A. Teixeira – Em primeiro lugar, o condomínio deve contratar uma empresa certificada no programa ProAcqua, da Sabesp, e ter aprovação em assembleia.

É preciso também que os padrões de instalação sigam os padrões definidos pelo programa ProAcqua. Por exemplo: os medidores devem estar localizados fora de cada unidade, numa área comum de fácil acesso se necessário.

Além dos Condomínios, as empresas também individualizam medições por setor. Centros comerciais individualizam para as lojas e escritórios.

Há outras aplicações que não requerem certificação ProAcqua, como no caso das indústrias, que podem setorizar a medição por linha de produção e por departamento. Tudo a favor do uso consciente e da produtividade que, no final das contas, torna a economia mais saudável e inteligente, e o usuário mais bem informado.

Sistema de cobrança individual, condomínio em São Paulo. Créditos: CAS Tecnologia.

Portal C3 – Entre 2014 e 2016, o estado de São Paulo presenciou uma forte crise híbrida. Em algumas regiões do Brasil o racionamento é uma realidade. Por conta do novo COVID-19, é possível que o abastecimento sofra algum corte, ou, racionamento?

M.A. Teixeira – A princípio não há relação entre o nível dos reservatórios (baseado especialmente nos índices de precipitações chuvosas) e o COVID-19. Eventualmente algumas pessoas podem associar isso ao hábito de lavar mais as mãos, por exemplo.

Embora não haja indicadores de que tais hábitos afetam o abastecimento geral, é possível imaginar que o consumo pode aumentar nas residências.

Com as pessoas ficando mais em suas casas e com as recomendações de higiene, pode haver um aumento natural no consumo, e isso será demonstrado nos gráficos do sistema de Medição Individualizada adotado (se o Condomínio adquiriu uma solução inteligente e completa).

 

Uso consciente e a realidade do saneamento básico

Segundo a Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância), menos da metade da população mundial tem acesso à água potável. Créditos: Acervo.

Para não comprometer o abastecimento, é muito importante consumir a água com consciência ambiental e não desperdiçar.

Quanto ao racionamento que eventualmente ocorre em alguns lugares do Brasil, é importante esclarecer que há pelo menos dois fatores que podem determinar esse cenário:

– O Brasil é grande e os índices de chuvas variam muito de uma região para outra e em épocas diferentes do ano.

– As distribuidoras de todo o Brasil tem redes antigas, com alto índice de desperdício desde o sistema de tratamento e distribuição. Esses desperdícios também variam de uma região para outra, conforme o esforço que cada distribuidora faz no monitoramento e na manutenção de suas redes de distribuição.

Diferente do que ocorre com distribuidoras de energia há quase 20 anos, com a adoção de redes inteligentes – Smart Grid -, as distribuidoras de água, em geral, ainda não possuem tal nível de monitoramento da medição, desde a distribuição até o consumo – Smart Water -, o que impossibilita ações preventivas e corretivas eficazes.

 

22 de Março

Crédito: Acervo.

O Dia Mundial da Água foi criado pela Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas através da resolução A/RES/47/193 de 21 de Fevereiro de 1993,[1] declarando todo o dia 22 de Março de cada ano como sendo o Dia Mundial das Águas (DMA), para ser observado a partir de 1993, de acordo com as recomendações da Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento contidas no capítulo 18 (Recursos hídricos) da Agenda 21.

Cai o volume de água no Sistema Cantareira em São Paulo

O nível do Sistema Cantareira, um dos mais importantes reservatórios de abastecimento de água de São Paulo, começou a preocupar. O volume caiu para 44,5% da capacidade do manancial. O cenário chama a atenção de especialistas, por conta do risco de uma nova crise hídrica.

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Consumidor de energia elétrica deve ficar atento para não pagar mais

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Falta de informação induz ao desperdício de água

Com a crise de abastecimento que atinge o estado de São Paulo, a busca por alternativas que reduzam o desperdício do recurso passou a fazer parte da vida dos consumidores. Contudo, a falta de informação pode ser uma vilã nesse processo. É o caso dos condomínios, que têm um consumo mais elevado e o motivo é desconhecido por muitos. Um banho de 15 minutos com o chuveiro aberto consome, em média, 135 litros de água em casa e mais de 240 litros em apartamento. Mas por que essa diferença tão grande?

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