Os novos rumos da geração de energia dentro da perspectiva ESG

Muitos são os desafios que ainda iremos enfrentar, mas o que não deixa margem para dúvidas é que preservar e incentivar a adoção de práticas de ESG é um componente estratégico imprescindível para toda e qualquer tomada de decisão

O uso irrestrito dos recursos naturais para a obtenção de energia tem consequências sérias para o meio ambiente. Em um contexto em que a sociedade se mostra cada vez mais envolvida e mobilizada pelas questões inerentes ao conceito ESG (Environment, Social and Government) – Governança Corporativa, Social e Ambiental –, a tendência é que ganhe ainda mais corpo o uso crescente de fontes renováveis que comprometam o mínimo possível o equilíbrio da natureza, além de uma vigilância ainda mais efetiva sobre as práticas de atuação das geradoras, transmissoras e distribuidoras quanto às suas estruturas internas e, sobretudo, das práticas e campanhas adotadas para um consumo mais consciente.

Estamos vivendo uma crise hídrica grave e toda a cadeia de energia é cada vez mais fortemente cobrada e exposta. Pesa o fato de que o país ainda tem uma matriz energética muito dependente das hidrelétricas — mais de 60% da nossa energia elétrica ainda vem delas. Esse número já foi superior a 75%.

Embora tenhamos obtido avanços significativos na adoção de fontes renováveis nos últimos dez anos – recentemente o território brasileiro superou a marca de 9 GW de usinas solares em operação e 19 GW de usinas eólicas, segundo a Absolar e a Abeeólica, respectivamente, precisamos intensificar ainda mais os esforços nessa direção. Vale ressaltar aqui que segundo o Acordo de Paris (assinado em abril de 2016), o governo brasileiro se comprometeu, até 2030, a aumentar a participação de bioenergia sustentável para 18%; alcançar 10% de ganhos de eficiência no setor elétrico; expandir para 33% o uso de fontes renováveis, entre outros.

Esses compromissos implicam diretamente na diminuição da emissão de gás carbônico e, consequentemente, na redução do efeito estufa, principal responsável pelas mudanças climáticas que temos vivenciado de forma cada vez mais agressiva.

Em paralelo ao aumento da busca por fontes de energia renováveis, vale destacar que há a necessidade de transformar a geração e a distribuição em atividades descentralizadas e mais ágeis, viabilizando e otimizando a geração distribuída de energia, de modo que a fonte de geração esteja próxima ou no mesmo local do consumo.

Um outro ponto importante nesse contexto é o agigantamento do mercado livre de energia, principalmente solar. Cada vez mais, os consumidores estão aderindo a essa modalidade e um dos fatores determinantes para isso, além da redução do gasto com o consumo, é sim uma maior conscientização ambiental. Em 2020, o número de consumidores livres foi 32% maior que no ano anterior, conforme dados da Empresa de Pesquisa Energética (EPE).

As modalidades de geração distribuída de energia, entre elas a micro geração, foi reconhecida pela Aneel em 2015 por meio da Resolução Normativa Nº 687, que entrou em vigor em 2015, definindo algumas regras. No entanto, o país ainda carece de uma regulamentação específica. Atualmente, a Câmara dos Deputados debate a criação de um marco legal que visa mais segurança para o crescimento sustentável no país.

As inovações provenientes de tais regulamentações poderão contar com diversas tecnologias já disponíveis no mundo, inclusive no Brasil, pois a sustentabilidade ambiental promoverá também as sustentabilidades econômicas e social.

Com o mercado livre de energia, a gestão se torna mais complexa para as concessionárias, que passam a ter que administrar fontes em diferentes locais, com características e necessidades específicas. No caso da energia solar e eólica, por exemplo, a produção é reduzida ou ampliada conforme as condições do tempo.

A gestão de um sistema moderno, composto por novas fontes renováveis, contará com as mais modernas tecnologias de comunicação – como IoT – , processamento de grande volume de dados – Big Data – ,  e sistemas analíticos de Inteligência Artificial.

Sem sombra de dúvidas, o caminho para viabilizar a melhor eficiência operacional nessa geração de energia, renovável ou não, é o avanço da implementação dos Smart Grids, sistemas autorreguláveis de distribuição e transmissão, compostos pela aplicação e integração de tecnologias – Big Data, Internet das Coisas (IoT), Inteligência Artificial (IA) e Machine Learning.

Esses sistemas permitem a análise de dados, automatização de processos e gestão da de medição. Contribuem com a assertividade da atuação do homem para detectar problemas, agir preventivamente e realizar ajustes. Por isso, são essenciais para adequar o padrão de consumo e combater perdas e desperdícios, consequentemente, reduzir custos e o impacto ambiental do setor elétrico.

Muitos são os desafios que ainda iremos enfrentar nesse setor, mas o que não deixa margem para dúvidas é que preservar e incentivar a adoção de práticas de governança e de conscientização social e ambiental é um componente estratégico imprescindível para toda e qualquer tomada de decisão. Felizmente, modelos, sistemas, ferramentas, soluções e aplicações que tornem essa prerrogativa factível estão hoje ao alcance de todos. Basta querer adotá-las. ESG

 

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