Falta de informação induz ao desperdício de água

Com a crise de abastecimento que atinge o estado de São Paulo, a busca por alternativas que reduzam o desperdício do recurso passou a fazer parte da vida dos consumidores. Contudo, a falta de informação pode ser uma vilã nesse processo. É o caso dos condomínios, que têm um consumo mais elevado e o motivo é desconhecido por muitos. Um banho de 15 minutos com o chuveiro aberto consome, em média, 135 litros de água em casa e mais de 240 litros em apartamento. Mas por que essa diferença tão grande?

A resposta está na estrutura des­sas construções. A caixa d’água, quando instalada em um prédio de 20 andares, fica a cerca de 65 me­tros de altura. A distância entre os apartamentos e o reservatório cria maior pressão e vazão de água.

Quanto maior a vazão, maior é o desperdício.

A realidade é que para, de fato, incorporarmos hábitos sustentáveis, é necessário que a população seja conscientizada e tenha mais informações sobre o volume gasto e as tecnologias disponíveis. Não faltam situações similares do que po­demos chamar de ‘desperdício inconsciente’. Quem tem o costume de fechar o registro enquanto se ensaboa e toma um banho de cinco minutos economiza cerca de 90 li­tros de água. No dia a dia, porém, esses pequenos detalhes passam despercebidos.

Há uma Lei sancionada em várias capitais do país, como São Paulo e Rio de Janeiro, que exige, desde 2009, a medição individualizada de água nos novos prédios.

Nem todo mundo sabe, por exemplo, que há uma Lei sanciona­da em várias capitais do país, como São Paulo e Rio de Janeiro, que exi­ge desde 2009 que os novos prédios estejam aptos à instalação da medi­ção individualizada de água. O pro­pósito dessa Lei é permitir que cada morador tenha acesso ao seu real consumo, entendendo seus gastos e hábitos – condomínios que não utilizam a solução têm apenas um hidrômetro para todos os apartamentos, fazendo com que os gastos com água sejam compartilhados equanimente entre todos.

No caso de prédios mais antigos, em que a implementação de medidores individualizados é muito mais complexa e onerosa por conta das múltiplas tubulações verticais, outra solução surgiu no ano passado como uma alternativa para a redução do desperdício. A medição setorizada consegue mensurar o consumo individual das prumadas de água, através de medidores instalados em cada uma delas. É possível fazer um “raio X” hidráulico do prédio, identificando os problemas que podem estar elevando o gasto da água.

Outros produtos disponíveis no mercado valem a atenção do consumidor. Um simples regulador de vazão, por exemplo, que é de fácil instalação e acesso, reduz o volume de água que passa pela tubulação, evitando assim o desperdício, mas sem perder o conforto do banho. São escolhas que fazem toda a diferença quando falamos em consumo consciente de água.

Se as pessoas tiverem o mínimo conhecimento técnico sobre a forma como utilizam a água e, sobretudo, os dispositivos disponíveis no mercado, certamente terão mais chances de adotar novos hábitos e valorizar esse recurso que é fundamental para a vida.

Dados recentes mostram que cada paulistano gasta, em média, 188 litros de água. De acordo com a Or­ganização Mundial da Saúde (OMS), a recomendação é de 110 Litros. Passou da hora de encararmos o problema de frente.